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Boteco do JB

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Month: May 2020 (page 1 of 4)

the winter is coming

enquanto o genocida que ocupa o palácio do planalto mostra a que veio, suas besta-fera colocam as patas pra fora em manifestações adolescentes que deveriam provocar voz de prisão, mas nada ocore feijoada.

vivemos a pior crise sanitária dos últimos 100 anos e nosso governo, tal como pôncio pilatos, lava as mãos encharcadas de sangue do povo que o elegeu.

cerca de 1000 mortes diárias numa escalada que não atingiu o pico não impedem governadores e prefeitos de abrirem portas comerciais de maneira irresponsável.

e achamos natural a parada toda, acostumamos com a ideia de que o horror seja encarado como cotidiano. perdemos a capacidade de nos chocar, nos tornamos cínicos.

e eles bebem leite, jogam nas redes toscas referências nazistas e fascistas, mesmo que não façam a mínima ideia do significado. o que importa é o efeito causado nos exércitos de meia dúzia de besta-fera, que fazem mais barulho que 300 soldados.

o último governo não foi derrubado porque era incompetente e corrupto, mas sim porque o brasileiro médio não gosta de pobre. deu no que deu.

o genocídio como meta de governo tem dado certo, desde a invasão portuguesa que exterminou os índios não se viu nada parecido por essas bandas.

e não há o muito o que fazer. a pandemia não nos transformou em pessoas melhores, apenas nos deu real dimensão de insignificância.

mas, se houver próximas eleições, poderia me fazer um favor? vota melhor.

quem está no poder é a maior prova de que político NÃO é farinha do mesmo saco. e a democracia, embora esteja longe de ser justa, ainda é o sistema menos péssimo que conhecemos.

não se comporte como gado.

entre goiabas e salames

meu nome é júlio bernardo, tenho 46 anos e nunca conheci alguém que tenha visto o pé de goiabeira que batiza o nome de guerra no cemitério onde meus pais estão enterrados.

por coincidência estamos na época de goiaba, que surge de tudo quanto é lado. fruta boa pra compota, suco e também pra mandar pura, ela.

mas a terminologia da palavra pode ser usada de diversas maneiras. durante minha adolescência não existia ofensa maior que xingar alguém de goiaba.

joão antônio diz que o jogo é jogado e quando se joga alguém pra escanteio, o chamando de goiaba, você simplesmente tira o cabra do jogo. uma vez fora do tabuleiro, o sujeito deixa de existir, não tem nível pra ser o inimigo, está destinado ao esquecimento.

e o que é a morte, além do esquecimento? quem lembrará de ti, após 30 anos que seus restos foram jogados num pé de goiabeira abstrato?

pois saibamos escolher nossos inimigos, antes da ocorrência da única certeza da vida. deixemos os goiabas – também conhecidos nesse tempo contemporâneo como salames – viver e morrer no breu de onde não tem a menor intenção de sair.

o inimigo de hoje não é inominável, tem nome e sobrenome, que infelizmente começa com minhas iniciais: jair bolsonaro.

seus crimes contra a humanidade devem ser escritos, falados e repetidos à exaustão até o fim dos tempos, para que esse genocídio em curso não ocorra novamente.

a hora agora é a de cassação da chapa e manda-lo pra a corte internacional de justiça.

combata o inimigo real, não seja um goiaba.

tudo é reza!

uma coisa que não disse ontem é que meus pais e avós maternos estão enterrados na goiabeira e que esse cemitério tem valor afetivo para muitos lapeanos.

é bonito ver o romântico apego que alguns de nós temos por quem já foi nessa e também por troços exutéricos tão longe do alcance da razão.

o tempo fez com que eu reduzisse um bocado a zoação com quem tem alguma espécie de credo. e não é por respeito, mas sim por solidariedade. se a fé ajuda a pessoa de alguma forma, pra mim já basta.

desde que o mundo é mundo, o que não falta é religião com gente muito ruim capitalizando em cima de guerras e desgraças. o mal maior que é a igreja católica taí pra comprovar isso, entre outros horrores.

mas não é confrontando o crente que se enfraquece esse tipo de instituição. aliás, muito pelo contrário. tentar se impor só fará com que o religioso se afaste de ti e se aproxime ainda mais daquilo que acredita. além do mais, é preciso certo cuidado pra colocar no mesmo balaio razão com abstrato. eu mesmo não tenho a manha, todas as vezes em que tentei algo parecido foi como dar um tiro no pé. mas claro que sempre terá alguém com raciocínio mais ágil que o teu, geralmente de pensamento muito diferente.

TUDO É REZA! TUDO É REZA! – tal como um xamã apocalíptico, vociferou xico sá no tijuca connection, encontro de todas noites com amigos queridos e notáveis, que mantemos na vã esperança de preserva o que sobrou de nossa sanidade mental.

pode parecer simplista, mas misturar sagrado com profano é um dos maiores desafios desde que nos conhecemos por gente e tentar vencê-lo pode justificar a existência.

já fausto fawcett – aquele que considero como um dos maiores cronistas vivos – diz em recente entrevista que a tecnologia é a religião mais atuante, ao apontar fanáticos segurando seus celulares como se fossem terços, pra atualizar mídias como o scarfacebook.

pra não parecer um et, também arrumei um credo para chamar de meu. é no bar que tento praticar o profano de maneira sagrada, inclusive mantenho no próprio quarto um balcão que pode ser visto como altar, dependendo da ébria perspectiva. tudo é reza.

de qualquer forma, quando morrer, pode enfiar meus restos lá na goiabeira, junto com a parentada. questão meramente estética, o túmulo pode ficar bonito, em forma de um balcãozão vermelho campari. pode chegar junto e beber uma por mim, mas me faça o favor de não desperdiçar goró, dando pro santo ou qualquer ato do gênero.

afinal, quem é que vai querer um drinque depois de morto?

mar de goiabeiras

o governador de são paulo promete reabertura gradual do comércio a partir da próxima semana, com direito a funcionamento de shoppings, por mais ridículo que pareça a ação. será que a hora é a mais adequada pra isso?

afinal, quem é que vai querer comprar sapatos agora?

mas o problema vai além. vivemos num país de imensa desigualdade social, onde a tão necessária quarentena tornou-se um fenômeno burguês, já que o mais humilde não tem lá muita escolha, não.

acontece que obrigar a camada mais frágil da população a sair pra pegar uma condução lotada pra servir a casa grande não resolve o problema, muito pelo contrário.

quer dizer, a não ser que você seja um genocida, como demonstra o atual ocupante do palácio do planalto. o prefeito de são paulo infelizmente também parece mostrar disposição pra honrar seu infame sobrenome. hoje ele fará uma declaração, duvido que saia algo bom da sua boca.

estamos na contramão da humanidade e a história será implacável com os atuais governantes. mas quantos mais precisarão morrer pra isso?

há pouco mais de 100 anos foi construído às pressas o cemitério da goiabeira, na lapa, com o propósito de enterrar mais de 14000 vítimas da crise espanhola.

os tempos são outros e não deveríamos passar por isso de novo. até porque a pandemia surgiu num continente distante e passou por vários lugares antes de aportar aqui. um governo com o mínimo de competência tomaria as devidas providências de defesa para o estrago ser menor.

já morreram dezenas de milhares de pessoas e ainda estamos longe do pico da pandemia.

quantos cemitérios mais teremos que construir para enterrarmos nossos mortos, vítimas de uma política genocida?

agora parece comum morrer por conta do vírus mais de 1000 pessoas por dia, fora os óbitos não registrados. perdemos a capacidade de nos chocar. o horror se tornou cotidiano.

mas, tudo bem. a partir da próxima semana teremos à disposição shopping centers para empilharmos cadáveres nas praças de alimentação.

os fantasmas se divertem

acho que foi por volta do começo da última década do século final do milênio passado que passei a pegar mais pesado no álcool. disputava com respeitáveis senhores barrigudos por um lugar em pé encostado no balcão do bar localizado na esquina das andradas com a aurora. a bebida oficial era um bem tirado chopp de marca que hoje não aprecio mais.

o foco ali nem era a bebida, mas sim o papo entre velhos boêmios. novo e sabendo do meu lugar, mais escutava que falava. aprendi muito com as histórias sobre o quadrilátero do pecado, também conhecido como boca do lixo, com o espírito de joão antônio abençoando a todos nós.

pra acompanhar o chopp, imbatíveis canapés preparados com esmero pelo seo luiz, que trabalhou no bar por muito tempo. ali deu expediente até depois de completar 90 anos. exemplo de quem trabalha por vocação, tão diferente de parte dessa molecada de hoje que permanece apenas por poucos meses num emprego e tem mais compromisso com a caixinha do que com o sagrado ofício.

após o pontual fechamento às 20h, caminhava em direção ao número 677 da avenida são joão, esquina com a ipiranga. embora a qualidade dos produtos servidos fosse mais fraca que as últimas duplas de zaga da associação portuguesa de desportos, o longo balcão era um dos mais bonitos que essa cidade já teve. já um tanto ébrio, passava horas sentado num dos bancos, contemplando a vista de frente pro bar.

quando chegava aquela hora mais adultona subia até o elegante anexo, que também tinha discreta entrada pela ipiranga. uma taça de dry martini na mão, bom som ambiente do piano de cauda no ouvido e nítida embriaguez nos olhos confortavam a alma noturna.

muito tempo se passou e atualmente os bares pertencem a um grupo que se dedica a destruir com uma força júniorbaiânística a memória boêmia paulistana, acabando assim com lugares que deveriam ser tratados como patrimônio imaterial da cidade. não sobra copo sobre copo.

o bar da aurora ampliou e abriu filiais (!) e o da são joão aposentou o balcão, que deve estar apodrecendo no andar superior junto com a alma do sócio principal, que claramente foi vendida a satã. eu sei que o príncipe das trevas já fez negócios melhores – como na ocasião em que prometeu uma sobrevida ao meia paulo henrique ganso no fluminense – mas considere que nossa época tá um tanto difícil, dê um desconto pro seo coiso.

a quarentena causada pela catastrófica pandemia que nos assola provocou uma crise que vem decretando inúmeras falências e nessa semana chegou a ser divulgada a notícia de fechamento definitivo do bar brahma. mas era fake news, é preciso tomar cada vez mais cuidado pra se informar direito. de qualquer forma, seguirei não frequentando a espelunca que faz tempo que se tornou verdadeiro símbolo de macumba pra turista.

prefiro beber ao lado dos fantasmas que frequentaram os balcões de um passado nem tão distante. aliás, o bartender poderia me servir mais um whisky, por favor? não precisa trocar o copo, não. só me traz mais uma pedra de gelo, se puder.

que plínio marcos tenha piedade dessa nação.

eu disse não chefe

não é da noite pro dia que se desmascara a subcultura assediadora que assola o mercado restaurador no brasil.

é natural que as pessoas tenham medo de se expor. e o mercado colapsado, se por um lado enfraquece o mar de escrotidão, por outro faz com que se tenha ainda menos vagas de emprego. a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

mas um primeiro passo foi dado e outras pessoas se mexeram. é questão de tempo para que tiozões assediadores caiam do cavalo. e queda promete ser dura.

até porque o que importa mesmo não são eles, mas sim elas, as assediadas.

há gente competente e de boa fé disposta a dar tanto auxílio jurídico quanto a ajudar num possível reposicionamento empregatício.

meu balcão virtual sempre estará à disposição para esse tipo de depoimento (inclusive anônimo como os 2 postados), mas entendo se a vítima não se sentir à vontade pra falar com um homem hétero branco etc. se for esse o caso, trago a boa notícia de que existe um endereço eletrônico com um time composto só por mulheres da área pra atender denúncias de todo tipo de assédio. a conta está no instagram e atende por @eudissenaochefe.

não busco engajamento, o que quero é uma correção histórica descolonizadora. não se trata de ingenuidade, mas sim de senso de justiça.

e, meninas, não falarei que sei como é difícil vir à tona, porque só vocês sabem o real tamanho do grau de dificuldade em se mostrar. mas posso dizer que esse jogo finalmente começou a virar.

quem tem que ter medo é ele.

vinho natural

Danilo Nakamura

Qualquer pessoa que goste muito de algo ou de alguém é um idiota. A idolatria é a arte de se declarar um retardado sem reconhecê-lo, é uma entrega cega e constrangedora, feita em tatibitate travestido de conteúdo. Isso serve para Beliebers, Little Monsters, corinthianos, crentes, feministas e fãs de vinho natural – especialmente para estes últimos.

Semana passada, o Radiohead foi aplaudido depois de passar três minutos afinando os instrumentos: os fãs acharam que era uma música nova. Não sei como, depois disso, não houve o maior suicídio coletivo da história. Eu adoro o Radiohead. Mas depois de tanto tempo produzindo dissonância (boas e ruins) e tentando quebrar conceitos de musicalidade, criou uma legião de gente que referenda qualquer bosta que a banda tocar. Veganos têm isso com comida vegana: a simples existência implica a excelência. “Nossa, que delícia este vômito verde!” Com vinho natural, a chave é parecida, só muda a bandeira.

A ideia dos naturebas é legal, vem na contracorrente dos anos em que produtores corrigiam qualquer coisa que julgavam defeito e homogeneizaram as prateleiras com vinhos barbies, todos supercorrigidos, feitos para ganhar campeonato, robozinhos de passarela. Foi a era dos fruitbombs, dos malbecões, dos purês de carvalho, dos vinhos de 100 pontos do Parker, dos (excuse my french) supercarmenères.

Mas defeito é bom (e eu gosto), um nariz grande, uma barriga, uma falha na sobrancelha. É charme positivo, é o que faz a gente amar (em vez de só gostar), é o que faz olhar de novo, repetir a prova e, muitas vezes, ficar de pau duro. É aquele rastro de cabelo que escorre pela nuca, uma penugem que cruza o limite onde o cabelo terminaria e te faz descer os olhos e enxergar para além de onde a blusa deixa.

O defeito do vinho natural foi idolatrar o próprio defeito – o que abre um precedente terrível para qualquer aventureiro brilhar: quanto mais der errado, melhor. Só que existe uma linha perigosa que separa o charme do incômodo. A partir de certo nível de estranheza, quando acaba a sutileza, o charme se perde em fetiche – logo, só servirá para os fetichistas.

Um traço de brett equivale àquela batida de dentes, quando, de tanto tesão, o beijo é desajeitado. É um incômodo gostoso, faz sentido. Um suco de brett (como é boa parte dos ícones naturebas) equivale a cocô no sexo (e na taça). Pegue um fãzoca de vinho natural numa degustação e note, é uma enoescatologia sem fim. Acabou o tesão na fruta. Vinho não pode mais ter cheiro de uva fermentada. Tem brettanomyces? Ótimo. Redução? Tanto melhor. Cheiro de merda? Super Trunfo!

É uma métrica de pensamento bastante infantil, como quando eu entupia a pizza de ketchup e não sentia mais gosto de nada. Eu tinha 7 anos.

O nível é tão baixo que os vinhos chegam a espumar na taça, estão cozidos, avinagrados, refermentados, nas coxa, na chinela. Fedem a bodegas sujas porque, de fato, são – a higiene em algumas cantinas naturebas é estarrecedora. Mas quem se importa com aroma de rato? Quem se importa se aquilo é tão tóxico quanto os pesticidas? Não serve nem para aguar a parreira, capaz de matar a vinha velha do coração, de decepção, como o filho que abandonou os bons modos herdados da família. Mas o importante é que não contenha sulfitos, né?! Aí sim é vinho de verdade. (P.S.: dizem que o próprio Philippe Pacalet, a Lady Gaga dos vinhos naturais, diva dos jantares enointeligentes, adiciona sulfito para exportar suas garrafas – senão desanda tudo no navio)

O engraçado é que metem o pau em vinho manipulado, dizem que tem cheiro de plástico, de químico, de qualquer coisa. “Não exala a expressão do terroir e da natureza.” Mas, como o louco que não rasga dinheiro, nunca vi bebedor natureba negar um Petrus 82, um Margaux-zinho, aquele Cheval Blanc 47. NUNCA. O que me diz algo claro: o natureba olha para os vinhos naturais com os mesmos olhos que um enófilo idiota olha para os vinhos de 100 pontos, com idolatria: tem tudo que o Parker (qualquer que seja ele) falou, é automaticamente bom para um caralho. É o clichê do bem e do mal serem, no fundo, irmãos brigados – tão diferentes, tão parecidos. Ambos deixam de beber vinho para beber conceito – um troço que só é bom do copo para fora, da boca para fora. É para contar na firma, no dia seguinte.

É triste porque tem produtor sério e bom para cacete fazendo a parada. Há grandes vinhos naturais – e que jamais precisariam deste rótulo para se bancar. Fosse eu o produtor, negar-me-ia a ser tachado do mesmo nome, inventaria outro: tipo, sei lá, vinho bom. É o que deveria ser. Quem se garante na qualidade não carece de bandeira – já ouviu alguém justificar que Romanée-Conti é biodinâmico? Pois é.

A essência dos vinhos naturais (e do Radiohead) era fazer algo iconoclasta, contestador, que assumisse os defeitos, mostrasse a beleza da barba malfeita. Era um trabalho de assinatura. É uma pena que a assinatura tenha virado um rabisco.

Danilo Nakamura é roteirista, bartender, comandante do excepcional OTYY Drinks e escreveu o prefácio da Mão que Balança o Copo

texto publicado originalmente no site Edifício Tristeza

mais tabule, por favor

faz mais de 10 anos que digo que pizza não foi feita pra viajar. a ideia de pegar o disco que acabou de sair do forno e asfixia-lo numa caixa de papelão não é das mais nobres. mas, se você tem relação afetiva com esse produto, ninguém não tem nada a ver com isso. lei da oferta e procura, diz com indisfarçável cinismo o acomodado dono da pizzaria.

acontece que a quarentena despertou em algumas pessoas a vontade de comer melhor. e finalmente algumas pizzarias estão entregando suas redondas pré-assadas, para o próprio comensal finaliza-las em seu forno caseiro. poderia ser feito antes, menos mal que o zumbi do deus mercado permitiu tal ação hoje.

ainda não fiz o teste da pizza, mas nessa semana recebi de uma amiga uma cesta com produtos veganos que emulam laticínios, tais como manteiga e queijos.

não tinha nada muito bom, mas nada terrível também, com exceção de uma tentativa de ricota cujo sabor me remeteu a uma situação da cada vez mais distante infância, quando certa vez caí numa praia da cidade ocean e engoli um pouco da areia da praia, enquanto a estátua de netuno gargalhava da minha cara de mini-otário.

a verdade é que existe pouca diferença entre os produtos veganos e a segunda linha de um laticínio menor. e ninguém se importa com isso, poucos tem paladar mais apurado. quando chega uma pizza 8 queijos na casa do cidadão, o que vale é o fato dele receber algo quentinho no aconchego do seu lar, não se a cobertura dá pra rebocar a parede. olha que bonitinho o enzo fazendo escultura de massinha com a borda e amassando a cara do tapioca, o velho schnitzu da casa!

mas assim como o serviço de entrega de pizza caminha para considerável melhora, os comensais tem descoberto suas próprias cozinhas e arriscado receitas tiradas do farto material disponível nas redes sociais. como o paladar comum é abaixo da média, não reparam nos primeiros erros.

só que a prática traz a melhora que apura o paladar e alguns dos próprios veganos já conseguem fazer sozinhos boas comidas, tais como gaspacho, variações de homus, bruschettas e mais uma infinidade de coisas. não é mais novidade que exista uma vida muito mais inteligente que aquela proporcionada pela proteína de soja.

quando sobra um pouco mais de tempo pra se informar, o famigerado zumbi do deus mercado morre outra vez.

cozinhe mais, tenha atenção com o que você pede no delivery, se informe e ajude os pequenos comerciantes, se assim puder.

os poderosos estão mais perdidos que regina duarte no governo federal, sejamos o novo mercado.

quando o mundo reabrir, te vejo lá. será muito difícil, mas quem sabe não seja pelo menos um pouco mais justo?

quem vai pagar o pato?

comecei a acompanhar futebol no começo dos anos 80 e até hoje não vi dupla de zaga mais elegante que dario pereyra e oscar. mas teve muito mais… pita no meio de campo, waldir peres no gol, as seleções de 82 e 86 (a minha preferida, pelo inegável charme da decadência) e outros times dignos de nota, tais como a democracia corintiana e um belo santos de 1984.

na minha visão, o auge da história do time pelo qual tenho enorme apreço começa com a conquista do brasileirão de 1977 – outra hora escrevo sobre essa noite histórica – e culmina na conquista do bi-mundial do telê. depois disso ainda tivemos grandes momentos, como o tricampeonato brasileiro e mais um mundial. mas o sucesso exige a queda.

só não esperava que a queda fosse tão grande. assim como vivi pra ver boa parte do auge do time, estou aqui para presenciar a pior fase de sua história. presidentes estranhos, dirigentes esquisitos e uma inacreditável sequencia de pipoqueiros milionários, que prezam mais por jc que pelo spfc.

postura equivocada de jogadores de futebol não é privilégio do spfc, vide o imbecil do neymar, entre outros.

mas essa catastrófica pandemia faz com que joguemos uma lupa nas declarações de vozes mais conhecidas.

e foi debaixo do cenário dantesco da morte de mais de 1000 pessoas por dia que o jogador pato deu uma infeliz declaração de apoio ao presidente genocida diretamente responsável pelo agravamento da situação do país que é o novo epicentro da pandemia.

agora não é mais questão de má ou boa administração, mas de vergonha na cara. esse jogador deve ser demitido e expulso para todo o sempre do futebol. sua trajetória deve ser condenada pela história.

até porque dentro de campo ele nunca teve destaque digno de menção mesmo. sua ausência preencherá uma grande lacuna.

assédio não

sempre houve assédio na famigerada cena gastronômica brasileira e já passou da hora de falarmos sobre isso.

nem todas postagens desse balcão virtual levam minha assinatura e nos últimos dias postei dois textos anônimos sobre o assunto. é natural que ainda muitas das vítimas tenham medo da máfia atuante no ramo e que demore mais um pouco para nomes virem à tona.

ontem li numa coluna de jornal que o cada vez menos celebrado chefe vendedor de caldo industrializado e café em cápsula vestiu uma das carapuças e contratou um criminalista pra me processar, por ter publicado um desses textos.

não me alongarei sobre meu problema jurídico, por simplesmente não dominar esse trâmites. opiniões pouco ou nada acrescentam numa questão técnica. mas deixo claro aqui minha boa vontade perante o tribunal, para ajudar a dirimir quaisquer dúvidas sobre a postagem assinada por outra pessoa, mas publicada por mim.

ameaças e processos de gente poderosa nunca me acovardaram e meu balcão virtual segue à disposição pra denúncias tanto anônimas quanto atuais. o pontapé inicial na bunda dos abusadores já foi dado e minha motivação é para que esse caminho se mostre irreversível. o que puder fazer pra isso ocorrer, farei.

meu email é jbacavalo@gmail.com e sigo à disposição das vítimas que de alguma maneira quiserem compartilhar suas tristes histórias de assédio.

o mundo tal como era colapsou, faliu. e a tendência é que se tenha menos medo de quem não tem mais tanto poder na mão, pelo menos por enquanto.

por fim, gosto de pensar que não é crime tentar colaborar na construção de um novo mundo mais justo e com menos opressão.

quem vem comigo?

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