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Boteco do JB

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Month: May 2020 (page 2 of 4)

o último old fashioned

Danilo Nakamura

Vou começar simples e direto: a enorme maioria de pessoas que têm feito diferença no serviço de bebida no país tem apenas duas características: ou é mulher, ou é gay (ou os dois). Vou continuar simples e direto: a enorme maioria das pessoas que têm feito zero diferença no serviço de bebida no país tem apenas duas características: é homem e é hétero, pelo menos da boca para fora (do aplicativo para dentro, dúvidas).

Daniela Bravin, Cássia Campos, Gabriela Monteleone, Lis Cereja, Camila Ciganda, Adiu Bastos, Yasmin Yonashiro, Ivo Arias e Cris Beltrão, Michelly Rossi, Laís Aoki, Analu Torres, Nina Bastos, Chula, Janaína Rueda. Tem macho fazendo coisa boa e direita e nova? Tem (até tenho amigos), mas dou conta paga vitalícia, em todos os bares da cidade, para quem conseguir nomear metade de homens heterossexuais promovendo bebida tão bem e com tanta relevância. (e só citei gente cujo trabalho conheço de perto)

Não é defesa barata de minoria, não. É essa galera que tem movimentado bebidas de exceção, cavado garrafas de produtores novos, feito o serviço com menos pompa e montado espaços mais agradáveis para se beber. 

Quando cheguei em São Paulo, aos 22 anos de idade, logo fui convidado a escrever sobre vinho pro jornal. O que eu encontrei foi um mercado quase inteiro de senhores engravatados, na média bem chatos, boa parte bem burra no assunto de bebidas. Tive uns 3 professores ótimos (Luiz Horta, Didu Russo, Pagliari) e conheci pouca gente mais jovem (estes sim, estudados: Bronza, Geoffroy, Bernardo Pinto, Marcel Miwa, Eduardo Milan). Mas a média era feita de filhos de médicos e engenheiros que conheceram bons Borgonhas dentro de casa, quando não os tínhamos importados por aqui. 

Quando cheguei no mercado de bares, aos 27 anos de idade, a mesma coisa: só homem, boa parte com conhecimento pífio, canastrões antigos, produtores de drinks ruins, bancados por marcas piores e perpetuados por inércia e preconceito da indústria, que não dava voz para destoantes. Se mulher bebendo já era feio, servindo era lixo. Para as bichas, um Cosmo ou Pinot Grigio bastavam.

Sabe o que aconteceu? Essa leva de viados e mulheres foi obrigada a: 1- se juntar e se ajudar (sem serem convidados para degustações, montaram as próprias); 2- se orgulhar de ser um ruído e, portanto, prover um serviço que fosse também destoante daquilo que estava há muito tempo disponível. E é daí, da acomodação masculina e do incômodo no outro lado, que surge um movimento andrógino, feminino e afeminado, que oferece coisa nova, relevante e, preferencialmente, oposta à tradição: adeus vinhos que hibernam anos em carvalho novo e caro, tchau decanter desnecessário, palavreado pomposo, coqueteleiras voando, carta de 700 rótulos, aroma de sereia. Que alívio.

Sabe o que aconteceu com a indústria de bares, drinks e vinhos? Melhorou um trilhão de vezes: as bebidas e o serviço estão severamente mais inteligentes e, uau, prazerosos. É justamente o “gauche na vida” que direcionou o serviço diferenciado.

E estes senhores, assim como seus rótulos favoritos, foram ficando bouchonée. As notas terciárias de couro envelhecido e armário empoeirado dos grandes Bordeaux impregnaram no estilo e no terno dos próprios adoradores. Como se diz em degustação, “este já está meio cansado”.

Então, quando um bartender das antigas (Kascão Oliveira) critica e demoniza “o carnaval com a venda de droga publicamente, o casamento gay, o aborto, a arte em forma de sexo explícito para nosso filhos (sic), kit gay nas escolas”, desdenha de negros e se proclama como o lado certo da história, eu sinto um feliz cheiro de velório: a morte vindoura de uma escola escrota de velhos barrigudos e safados e tiozões e cuzões, bando de Tony Cliftons falidos, mais porcos do que as unhas dos dedos que usam para provar seu Dry Martini atrás do balcão. Que descansem em paz e aproveitem a linda aposentadoria que lhes espera.

Eu entendo que moral e competência não são coisas que caminham obrigatoriamente juntas – por mais que, neste caso, pareçam ser – e pode soar como um tiro de canhão numa formiga, mas é inegável o prazer que eu sinto em saber que esta cena está morrendo: a cena que sempre teve imunidade e asco a mim, a minas e a outros gays.

A grande vantagem é que sequer é necessário boicotá-los. Estão à deriva, sustentados pelo último fio de cabelo e pelos últimos clientes Don Drapers dos Jardins – como aquele frasco antigo e ensebado de Angostura, há anos encardindo e oxidando na prateleira, esperando o último Old Fashioned ser pedido para dar seu dash final. Sobe créditos.

Danilo Nakamura é roteirista, consultor de bares e comandante do impecável OTYY DRINKS.

o dito cujo

Aquela Cavaleira do Zodíaco…

Finalmente consegui um emprego no meu primeiro restaurante de Chef famoso. No primeiro dia ele me recebeu no turno do almoço com uma medida dos pés a cabeça e um ¨Maaaas todaaa tatuada!!!¨ Pensei: ¨Ó quem fala¨. No turno do jantar ganhei um tapinha no ombro e um ¨ To lá no *, tá? ¨ (o outro restaurante no outro lado da rua).

Os próximos meses seguiram como uma aula de como não ser profissional: foi foto de cueca pra mostrar a nova tatuagem na coxa, abraços e beijos toda vez que nos encontrávamos, críticas a minha roupa (ele queria que fosse mais curta) e tatuagens; quando eu troquei meus óculos ele disse que eu estava linda parecida como uma professora de filme pornô (a secretaria dele riu), convites, piadas, elogios… Não importava o quanto eu me defendia, ignorava ou fosse grossa com ele, sua técnica era impecável e ele sempre tinha uma resposta pronta para ter a palavra final.

Um dia ele foi claro e objetivo: ¨Minha rola é grande e sua bunda é grande, vamos promover um encontro dos dois¨ e saiu, me deixando sem chão e com muito medo. Quando ele entrava eu saia, quando ele chegava eu ficava perto de alguém e quando teve a festa de fim de ano pedi para alguns colegas não me deixar sozinha pois o Chef estava ¨distribuindo água com MDMA¨.

Eu não podia me defender e por isso comecei a fazer perguntas.

Descobri que houve um processo por assédio sexual e ele pagou os funcionários que depuseram a favor dele, a vítima perdeu o processo e o emprego, e que muitas estagiárias eram vítimas de assédio, algumas não concluíam o curso e outras que conseguiram, saiam de lá com um diploma e um trauma.

TODO O MUNDO sabe, incluindo a esposa. Os líderes de salão fingem cegueira pra não perder o emprego, a gerência e metria tem respostas prontas e te fazem passar por louca. Mas não se atreva a avisar o RH. NUNCA! É justa causa.

Fiz amizade com um bartender e ele alertou para não participar das aulas de Jiu Jitsu oferecida gratuitamente para funcionários, para não ser abusada pelo Chef quando ele participava, e também por seus seguidores.

Sete meses depois pedi demissão, sem aviso, sem justificativa, sem apoio. Sai para o intervalo após o turno do almoço direto pro RH e poucas horas depois recebi uma mensagem do gerente me chamando de vagabunda, filha da puta sem noção. Como eu tive a coragem de abandonar ele assim e deixar meu posto na mão.

Fama e dinheiro compram caráter e não importa quantas vezes eu conte minha história, sempre terei vontade de vomitar quando ele está na TV sendo de pai de família empreendedor que ajuda a comunidade com sua ecomentira.

A Cavaleira do Zodíaco tem 35 anos e é mãe de gato e gente. Luta pra manter o protocolo de atendimento na noite paulistana há mais de dez anos. Especialista em logística de salão, suas portas sempre estarão abertas para quem aprecia boa comida, vinho e música.

nespresso não

a quarentena não fez com que parasse de falar com quem eu gosto, tecnologia taí pra isso.

mas não sinto falta de beijos e abraços, sempre fui muito na minha e fico meio constrangido quando vejo gente reclamando pela falta de contato físico.

os bares e restaurantes tem me feito falta não porque gosto de frequenta-los, mas sim porque iniciei a história desse blog no começo do ano e a ideia inicial era a de resenhar vários deles, para transformar em livro em 2021.

só que o mundo tal como conhecíamos já era e todos meus planos foram pro saco. inclusive tenho um livro de receitas quase pronto que em princípio seria publicado em junho e é óbvio que o lançamento foi adiado. quem é que vai querer ficar em fila de autógrafos na livraria a essa altura do campeonato? se bem que meus livros não costumam provocar grande tumulto. e tudo bem não ser sucesso de público, deixa isso pro paulo coelho. minha reserva financeira seria destinada pra lançar o título em são paulo, santos, belo horizonte, rio de janeiro, brasília, florianópolis, porto alegre, salvador, recife, fortaleza, maceió, belém do pará e pra onde mais me chamassem. a tour foi cancelada e hoje vivo desse fundo que logo acaba, já que estou sem nenhum outro trabalho.

deixar de ter restaurante para viver de assessorias (o que é diferente de consultoria) e conteúdo gastronômico foi uma catástrofe financeira, mas pelo menos hoje faço o que gosto.

uma pequena correção, por mera preguiça de editar o parágrafo anterior. explico. gosto mais de produzir conteúdo que de prestar assessoria. embora tenha aprendido e ensinado, a única coisa que não se muda num negócio é a cabeça do dono. e tudo bem com isso, afinal o dinheiro investido é dele. por isso costumo falar que o consultor é o último a passar pela porta antes do oficial de justiça, razão pela qual prefiro ser chamado de assessor. gosto de acompanhar o processo da operação por anos e anos. infelizmente nada deu muito certo como eu gostaria e hoje só pego mais um trampo desses se me identificar muito com a proposta. também pedirei um contrato com preto no branco, já que aparentemente o fio do bigode anda meio em desuso, tamanha a maneira como me fodi de cabo a rabo ao dar voto de confiança a certos sanguessugas.

tentando manter um fio de otimismo, fico na torcida para que o colapso financeiro dê real oportunidade para empreendimentos mais simples e genuínos, com planos de negócio que pensem mais em pessoas que em números. dinheiro como consequência de bom trabalho, não como meta de business plan.

eu mesmo já disse por aqui e ressalto que penso em abrir uma porta onde as derrotas cotidianas sejam de minha inteira responsabilidade. só fracassa quem não luta e eu trabalho desde bem cedo, tive meu primeiro comércio com apenas 13 anos. se esse plano for executado, talvez o lance da produção de conteúdo fique ainda mais largado, mas é preciso sobreviver.

por enquanto esse blog se mantém atualizado diariamente no ar, apesar do plano original ter ido pras picas. o canal também, na medida do possível e em velocidade de cruzeiro, já que não tenho dinheiro nem pra pagar os pacientes e talentosos colaboradores. e o novo livro – que terá ilustrações do excelente artista gráfico e grande amigo binho miranda (responsável também pelo design desse site, do anterior e da página do canal no facebook) – deve ser lançado ainda nesse ano, de alguma maneira.

patrocínios são mais que bem vindos, mas necessários. desde que não representem confronto com minha propriedade intelectual. jamais faria, por exemplo, parceria com o salame da sadia ou o tempero pronto da sazon. café de cápsula? nem pensar. e, se não rolar a grana de maneira razoável, sigo dando um jeito.

morro pobre, mas sobrevivo honrado.

e, quando essa hecatombe passar, não se incomode se eu não te abraçar. parece escrotidão, mas é só timidez.

a manda chuva

quem bebe bastante e fala que nunca tem ressaca não passa de um mentiroso. todos passamos dos limites, mesmo que por poucas vezes.

com a quarentena nem tenho bebido tanto, pelo motivo que bebo para elevar o espírito e esses dias de guerra estão há léguas e léguas de distância da paz e dessa tal de plenitude.

o exercício de atualização diária do blog faz com me perca um pouco e repita alguns temas, de maneira que tenho quase certeza que já escrevi sobre a ressaca, mas não me perderei no labirinto de mais de 100 textos pra achar a postagem, até porque é natural que esse assunto boêmio volte à tona por vez ou outra.

devo ter falado sobre a receita básica pra evitar a danada: muita água da hora do triste despertar até a hora de dormir, boa alimentação e, acima de tudo, conhecer seus limites.

o que acho que nunca deixei claríssimo é que não é você que escolhe a bebida, mas a bebida que escolhe você.

se whiskeys te fazem acordar no dia seguinte com gosto de corrimão da escada rolante do metrô santa cruz na boca, decerto essa bebida não gosta de ti. e não adianta correr atrás, que ela te humilhará e aumentará ainda mais o tamanho da derrota. quem sabe aquela garrafa de vinho na prateleira da importadora não te paquera há anos, enquanto você insiste em falhar miseravelmente tentando pagar de bukowski que nunca será? aprenda a olhar ao seu redor.

eu, por exemplo, tenho amigos que apreciam cervejas bosta como se fossem a última garrafa de barolo do piemonte, em botecos escusos à nata da sociedade. adoro o ambiente e os amigos, o que não é motivo pra compartilhar uma ampola de brahma chopp. mas campari resolve quase tudo e brinda bem direito com os camaradas.

variações da bebida vermelha que uso como válvula de escape também funcionam. uma lata de água tônica rende de 2 a 3 campari tônica e se a espelunca servir suco de laranja é possível improvisar um autêntico garibaldi em cima da estufa de botequim devidamente guarnecida de empadas e ovos coloridos.

se você insistir em beber um troço que não gosta de você, a vingança do relacionamento abusivo é tão certa quanto a morte e a ressaca do dia seguinte será inevitável.

através de um app de vídeo, participo de um encontro virtual todas as noites e todos bebem, cada um(a) algo diferente. ninguém desrespeita a íntima relação que temos com o conteúdo dentro do copo, com o ato de beber.

quando você deixa a bebida te escolher, essa relação se torna sagrada.

eu sou bom de copo e deixei ser escolhido por vários gorós. minha relação com o álcool também é promíscua, mas nos damos todos muito bem. meu nome é legião e somos todos gomorra.

pro programa noturno das noites de quarentena virtual com os amigos, uma dama me elegeu e conduz a suruba etílica que esmurra meu fígado sem dó: pinga com limão. entre uma bebida e outra, essa é a que predomina e compartilharei aqui a receita simplona.

pinga com limão

ingredientes

60ml cachaça serra das almas branca (ou outra boa cachaça artesanal branca)

30ml suco de limão tahiti (quando tem, uso o capeta)

15ml xarope de açúcar (1 pra 1)

modo de fazer

bate tudo na coqueteleira com gelo e manda bala. se possível, use dupla coagem. permitido dobrar a fórmula a cada batida. bebo uma média de 6 drinques desses por noite, dependendo do programa, que pode durar mais de duas horas.

quem sabe essa receita não te faz bem de alguma forma? só não se esqueça de quem é que manda.

pau na canalha

você tem ideia da quantidade de assédios que ocorre nos bares e restaurantes do brasil?

eu, não. mas já presenciei bastante coisa. assédio moral, sexual, show de horrores. e sei de histórias escabrosas que não serão compartilhadas aqui, por respeito à privacidade das vítimas.

a maior parte em cima da camada mais humilde da população. quanto mais minoria você for, mais prejudicada será. sim, no feminino. porque quem mais se fode é a mulher.

ao mesmo tempo em que ela não pode beber sozinha em paz num balcão de bar sem ser grosseiramente xavecada a bartender que a atende responde pra um patrão esquerdomacho assediador.

cenário por muitas vezes percebido e ignorado pelos próprios clientes, infelizmente.

na cozinha é pior, ainda mais se ela for fechada e à prova de gritos e pedidos de socorro.

quer estagiar naquele restaurante contemporâneo famoso? pois saiba que ele não te dará uniforme, faca, nem o dinheiro da condução.

prefere aquele com ares sustentáveis e equipe mais jovem? então, você não tem ideia das histórias de assédio em torno desse lugar.

agora, como convencer alguém que passa horas numa condução em função do trabalho e tem família pra sustentar que a denúncia é bom negócio?

sua condição é frágil ao extremo. e também tem o medo de ser demitida e não conseguir outro trabalho, devido à enorme influência do seu escroto patrão no mercado de trabalho.

só que o tal mercado acabou, já era. que tal começarmos o mundo novo denunciando esses macacos velhos?

o meu balcão digital sempre estará à disposição pra esse tipo de ato e meu email é jbacavalo@gmail.com. fique à vontade pra me procurar. prometo ajudar em tudo que estiver ao meu alcance. tiremos a roupa do rei.

pau na canalha!

old dog

Luzia Satti

chutando cachorro vivo

Eu nunca chutei cachorro, gato, papagaio ou iguana. Vivo ou morto. 

Mas tem um old dog que tá por aí, dando cria e se arrastando, e merece ser chutado, enterrado e exorcizado por toda a eternidade. 

Comecemos leve.

Quem frequenta tal bar/restaurante me desperta um misto de pena e asco. Ninguém está preocupado com o que é ingerido: preços exorbitantes, parca entrega. Entre um pedido e outro sempre escorrega alguma pergunta sobre um dos sócios – o primeiro pateta – o famoso, o que grita e é “foda pra caralho, top, grita memo, tem que ser de verdade”, parafraseando a clientela que tenta se comportar aos moldes do ídolo. 

Até aí tudo bem, grande bosta, piores lugares existem, se essa fosse a extensão do abuso. 

O segundo sócio basicamente ocupa o local como sua casa. Dorme no escritório. Usa o banheiro do salão como o seu pessoal, geralmente depois que os funcionários da manhã já limparam e deixaram pronto para a clientela do almoço.

Nota de esclarecimento: era necessário uma segunda limpeza após o uso do pateta II.

De noite desce, e fica do lado de dentro do bar (pequeno), infernizando o bartender, trocando a música ~bosta~ do ambiente como se estivesse na sala de casa e mandando funcionário ir comprar o seu cigarro. Vez em sempre vai pra rua fiscalizar a fila de espera. Faça chuva, frio, vento, furacão, não deixa o staff vestir casaco por cima do uniforme, à exceção do moletom com a marca do restaurante, que deve ser adquirido pelo funcionário pela bagatela de 60 reais.  

O terceiro pateta, digo sócio, que teve seu auge em banda de adolescente, fábrica de incel punheteiro, no início dos anos 2000, se sente no direito de saudar o contingente feminino do staff com selinho, mãozinha na cintura, abraço e cafungada no pescoço, “mas só as gostosa né”, quando não leva a conquista do dia pra almoçar ou jantar depois que o expediente termina. “E aí, já passou a dorzinha de menstruação?!” proferiu o supracitado saco de bosta, a uma funcionária que adoeceu no dia anterior e não foi trabalhar, em pleno salão, há metros de distância da mesma, em fechamento de expediente, deleitando funcionários e clientes com suas boas maneiras, humor e espontaneidade. 

Chegou atrasado? Desconta da caixinha. 

Os três patetas querem fazer festa depois de fechar o restaurante? Vai ficar trabalhando até que seja necessário. Duas, três da manhã.

Mora longe? Se vira. Hora extra? Nunca vi, nem comi, nem ouvi falar. Ser feminista = ser criminosa no tal lugar. “Ah, então tu é feminista?!” Com grande surpresa respondi: “E tu não é?!”

Foto da então presidenta Dilma: rasgada, pisoteada e cuspida por um dos sócios, num espetáculo digno de horror, antes do expediente abrir, pra deixar bem claro aos funcionários que divergências políticas não seriam toleradas. 

Tchau querida!

Ouvi de um sábio por esses dias que patrão sem caráter resulta em empreendimento bosta. Gostaria muito que essa correlação fosse mais percebida pela clientela. 

Enfim, para o consumidor desavisado e deslumbrado em iguais proporções, fica um apelo: trate bem quem te serve, a pessoa que te presta um serviço não é teu serviçal.

Escutou, senhor cliente e patrão? É com vocês, sim. 

Desconfie de lugares com alta rotatividade de funcionários, se não consegue manter e justamente remunerar um empregado, consegue manter a qualidade do que é servido? Esses dois fatores estão mais relacionados do que você imagina. 

Por fim, parem de ir em lugar cafona! Maus tratos, misoginia, racismo. Que tanto de coisa cafona. Coisa brega. Preocupem-se com o que é posto no prato e com quem o faz e parem de sustentar falsos patetas, que de patetas nada tem. 

Luzia Satti tem 30 anos e já trabalhou mais de 10 deles com serviço de bebida e salão em bares no Brasil, Inglaterra e Suécia. Segue na ativa, pro desespero dos machões e satisfação da freguesia. Seu nome real foi poupado, por razões de segurança.

o inferno é aqui

sabe o que cairia bem hoje?

sim, ele.

se não hoje, amanhã. ou ainda nessa semana. ou o mais cedo possível.

a chapa eleita deve ser cassada e julgada no tribunal de haia, para responder por crimes contra a humanidade.

hoje o ministro da saúde, que era ainda mais fraco que o anterior, pediu as contas. qualquer um que tenha o mínimo de decência não fica muito tempo nesse governo genocida.

o único planejamento do palácio do planalto é aquele que vai ao encontro da morte, especialmente da população com pouco ou nenhum recurso.

na última eleição para presidente votei no mesmo candidato no primeiro e também no segundo turno. fernando haddad é professor, foi ministro da educação e prefeito de são paulo. na época me pareceu uma opção razoável. mas haviam outras, tanto à esquerda, quanto à direita e também ao centro, que nunca saiu do poder.

por conta disso fui taxado de petista, comunista, socialista, entre outras inúmeras tentativas de ofensa. a todos respondia que a partir do começo do segundo turno a disputa não era mais política, mas sim contra a barbárie.

essa que chegou mais cedo que esperávamos, junto com a pandemia que parece trazer imensa satisfação ao príncipe do caos.

alguns chegam a ter a petulância de vir aqui no meu balcão virtual de bar pra tentar impor sobre o que eu devo ou não falar.

a esses repito o que já disse antes. se você ainda tem qualquer simpatia por esse aborto de hitler que ocupa atualmente o palácio do planalto, ou se acha que pelo menos tirou o pt neh tire seu tridente da minha frente e vaza. não acesse esse site, nem meu canal, muito menos compre meus livros. não acompanhe nada que faço, você não é bem vindo em nenhuma das minhas moradas. se arranca.

não sairemos dessa mais fortes. pelo contrário, os sobreviventes sairão arrasados. e se a trajetória humana não demonstrou sinais de evolução positiva em milhares de anos não é agora que um milagre ocorrerá.

nenhum deus terá piedade de nós, de maneira que a fé também não resolverá nada.

cabe a nós termos caráter e lutar contra a barbárie com as poucas armas que temos. se não for o suficiente, que ao menos alivie a dor e diminua um pouco as consequências dessa catástrofe de ordem global.

fiquem bem e em casa, na medida do impossível.

elevado joão goulart

a classe política brasileira nunca representou motivo de orgulho para a população.

moro no centro de uma cidade deveras prejudicada por um elevado que foi batizado à época de sua inauguração com o nome de um filho da puta que decretou o ai-5.

essa bosta de obra efetuada por um prefeito biônico que tinha a mais absoluta certeza de que chegaria à presidência da república detonou o centro nervoso que liga a zona oeste à zona leste, acabando também com toda vizinhança envolvida. ninguém quer mais morar na cidade desde sua infame inauguração, em 1971.

também mudou e encareceu a obra do metrô, que ficou meio torta, devido à implantação do jurássico viadutão.

e, por lembrar em metrô, ontem conversando com um amigo, ele bem lembrou que a linha ferroviária tá logo ao lado e seria menos agressivo se o mastodonte fosse construído por cima dela.

muito tempo se passou, o nome mudou – menos mal – e hoje existe o projeto de um parque em cima do cimento. saem os carros, entram as pessoas. embora a ideia tenha boa fé, sua aplicação seria de um trabalho tão grande que suspeito sobre nossa competência em realiza-lo. o pedaço por aqui está cada vez mais inseguro e um playground desse tamanho tem tudo pra ser apenas mais um lugar sem o menor traço de segurança. além do que é provável que tão cedo não queiramos ficar próximos um do outro.

posto tudo isso, digo que sou a favor da demolição dessa merda. e que destinemos os lindos prédios que já foram mais valorizados à população de rua que tá cada vez maior. e que sejam feitas oficinas gastronômicas para que o térreo dos edifícios ofereçam boa comida por preço acessível à comunidade mais necessitada.

a rua para quem é da rua. é essa a decência que espero do novo mundo que se aproxima.

vamos nessa, bruno covas? não seria um belo legado destruir o monstro criado pelo arqui-inimigo do seu saudoso avô e colocar algo decente em seu lugar?

vade retro genocida

assim como gostamos dos lugares certos pelos motivos errados, também derrubamos presidentes por razões suspeitas.

pra entender o brasil atual, é necessário estudar o processo de impeachment aplicado sobre fernando collor de mello, que abriu um precedente horroroso pro golpe dado em cima de dilma roussef. aliás, se admitirmos que foi aplicado um golpe nela, é preciso aceitar que o filho de arnon sofreu processo parecido.

ou pior, se analisarmos os fatos com a devida frieza. afinal, não é todo dia que um chefe de estado é deposto por um fiat elba.

o meu texto preferido desse blog deve ter sido o menos lido e divaga sobre a trajetória política do meu collor preferido, o primeiro ministro do trabalho, aquele que chamamos de lindolfo. não basta estudar o golpe sofrido por seu neto fernando pra entender a conjuntura política do país, mas sim a história da família inteira, passando especialmente pela carreira de seu pai arnon.

mas tem muito mais coisa, como os conchavos políticos do super influente leopoldo, o ciúme de pedro e até o restaurante breguíssimo do sobrinho de fernando. assunto não falta, os collor são os nossos kennedys.

fato é que nunca houve um desgoverno com tantos absurdos quanto o do genocida eugenista que ocupa o palácio do planalto. até fernando collor tem agido com bom humor nas redes sociais, estado de espírito esse que nunca foi assim o seu forte.

outro fato é que nossa república não é forte e poucos presidentes terminaram seus mandatos. lembrando que dilma sofreu um golpe no segundo e que fhc comprou sua reeleição de maneira vergonhosa ainda no primeiro.

mas o ponto do texto é: o que tirará o genocida do palácio do planalto? as apostas estão abertas.

dia do enfermeiro

meu pai deu certo trabalho nos seus últimos anos de vida, quando fugiu de alguns hospitais e destratou inúmeros profissionais de saúde que nunca revidaram, dada a enorme competência deles. já minha mãe, que passou os últimos 3 meses de vida no são camilo, teve uma morte serena, muito pelo tratamento humano recebido pelas enfermeiras plantonistas.

já vivi 5 anos a mais que meu pai e até agora foram 3 internações, a primeira no mesmo hospital em que meus pais morreram e as 2 seguintes na santa casa da misericórdia. fui tratado de maneira digna e profissional, especialmente pelo serviço público.

meus problemas de saúde me colocam num grupo de risco considerável e qualquer problema mais grave que tiver, como não tenho plano de saúde, será na porta do serviço público que baterei novamente.

felizmente também faço parte de um grupo privilegiado que tem condições de ficar em casa e se cuidar de maneira até que razoável, o que diminui o risco de dar merda, embora não o elimine.

é absolutamente lamentável a postura eugenista do presidente genocida, espécie de justo veríssimo da vida real, só que sem a menor graça.

quando jair bolsonaro decreta a atividade das academias de ginástica como serviço essencial ele não quer atingir o quadrúpede que quer malhar num ambiente mais insalubre que um vagão de trem lotado, mas sim matar a faxineira e o professor de educação física. e se o ministro da saúde tivesse um pingo de bom caráter, pegaria seu chapéu e iria embora, ao saber do decreto no meio de uma coletiva. mas pra esse aí parece ser mais interessante pagar de cúmplice de crime contra a humanidade.

a verdade é que nunca estivemos tão fudidos.

como se não bastasse toda a miséria, agora é proibido também o pobre ficar doente. mas é claro que não é assim que funciona. o extermínio da classe mais baixa é planejado, por isso devemos chamar o ocupante do palácio do planalto de genocida, sim. e defenestrá-lo, junto com seu vice e o vampiro da saúde. que respondam por seus crimes no tribunal internacional de justiça.

hoje é dia do enfermeiro, esse ser tão digno e agora ainda mais exposto a doenças tão graves, como a pandemia que nos assola. se você precisar de auxílio médico e não conseguir acesso a ele, responsabilize apenas o governo. o enfermeiro é um super-herói sem poder algum lutando contra inimigos poderosos e por vezes invisível.

mais que nunca todo dia é dia do enfermeiro e fica aqui o registro da minha homenagem a classe.

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