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Boteco do JB

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Month: November 2021

vem pra lua

nessa semana vendi uns frango frito numa rua da mooca, bairro que remete à lapa oitentista que hoje reside apenas na memória das pessoas de meia idade ou ainda mais antigas

entre o fim dos anos 80 e começo dos anos 90 eu mesmo vivi de vender frango e miúdos de boi em bancas de feira, inclusive publiquei livro sobre o assunto por editora grande até

hoje, após viver por quase meio século, tenho plena consciência de que esses dias de feira marcaram a época mais divertida de minha passagem por esse planeta

nunca mais trombei com tanta gente honrosa, especialmente se comparar com o famigerado cenário etílico gastronômico onde atuo desde o fim dos anos 90

feirante não vive de tapinha nas costas, o papo é reto

agora, sobre o tal cenário, claro que já passou da hora de ser renovado, até porque é impossível deixar de considerar a mais terrível crise sanitária dos últimos tempos

enquanto o prestador de serviço de restauração não estiver no mesmo nível do comensal médio a parada tá errada

chega

cai o rei de paus cai o rei de espadas

o atual momento exige bom senso e simplicidade. a hora é de menos taças e mais copos. libertemos a freguesia dos asfixiantes salões e vamos todos pra rua

viva a revolução

o evento do último sábado me rejuvenesceu por anos, pelo menos enquanto durou. por um instante cheguei a ter breve lapso de otimismo

vai um franguinho aê, freguesa?

nota feminista

O que queremos de um homem verdadeiramente aliado das mulheres?

Uso de seus privilégios, como espaço de mídia e audiência, para promover uma vida livre de violências para todas as mulheres.

Que o faça de forma segura e alinhada com protocolos internacionais de proteção a sobreviventes, como, por exemplo, garantindo a preservação da identidade da vítima caso ela não queira ou não possa se identificar.

Os relatos públicos têm se revelado de suma importância para a interrupção da carreira de predadores. Vimos isso com Harvey Weinstein, João de Deus, Saul Klein, Roger Abdelmassih.

Considerando a relevância da estratégia de publicização de casos, têm se tornado prática de defesa de homens publicamente acusados de violências o uso do sistema de justiça para silenciar as vítimas e seus aliados. Vimos isso, por exemplo, no caso de censura à matéria da Revista Piauí que trataria de mais informações do caso Marcius Melhem, além de outros casos em que as vítimas são impedidas, por decisões judiciais, de falarem sobre suas histórias.

É o que está acontecendo com o Boteco do JB. Ele forneceu o espaço e a audiência de seu blog para que uma sobrevivente fizesse um relato de um assédio que sofreu no trabalho em um restaurante e passou a enfrentar pendências judiciais, desinformação da imprensa e riscos aos seus trabalhos.

Mesmo diante de altos riscos, JB jamais revelou a identidade da vítima; fez o correto, tanto em aspectos éticos como em aspectos técnicos: o sigilo da identidade de uma sobrevivente deve ser respeitado e preservado por aqueles que recebem, justamente porque a sobrevivente pode sofrer retaliações, como perda de trabalho e de rede de contatos.

Mesmo pressionado para revelar o nome da vítima para o suposto assediador, JB não o fez e enfrentou represália judicial sob a forma de ação penal privada, a qual, por proposta formulada pelo Ministério Público de São Paulo, nem sequer teve início, mediante a contrapartida da contribuição no valor de R$ 1.000,00 ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCAD).

Contudo, parte da mídia e alguns críticos de JB divulgaram desinformações, como, por exemplo, colocaram em suspeita a existência da vítima, equipararam o peso da responsabilização do agressor às experiências de violência sofrida pela vítima e tratam JB como condenado, o que também é falso.

JB pagou, de seu bolso, para não expor uma vítima.

Como juristas feministas, nos posicionamos em prol de JB nessa questão porque não consideramos justo que um aliado que agiu de forma correta com a sobrevivente seja punido com base em desinformação e senso comum.

Isabela Guimarães Del Monde e Mariana Salinas Serrano

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