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Boteco do JB

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jerez martini

nascido no rio grande do sul, ele é jovem, talentoso e esperto. profissional do ramo etílico, quando o conheci, trabalhava na unidade paulistana de uma grande importadora de vinhos catarinense.

após encerrar seu ciclo na loja, foi pra londres passar boa temporada trampando num belo bar de vinhos. sempre dentro do seu segmento. foco.

de volta ao brasil, conheci o projeto do seu bar ainda no papel e me chamou a atenção pelo alto nível da parada. remetia aos ótimos bares de vinho que fui em londres. fiquei ansioso por sua inauguração.

até a escolha do ponto foi acertada e o bar ficou lindão, apesar do aparente pouco dinheiro usado. situação financeira que, nesse caso, ajudou. é bom quando a água bate na bunda. e verba parca evita que se gaste com alegorias e adereços que nem sempre são de bom gosto, situação que chamaremos nesse parágrafo de efeito tuju.

como de costume, aceitei o convite para a inauguração. e furei, claro. sou averso a esse tipo de evento com um monte de gente folgada alucinada por boca livre. além do mais, é preciso dar tempo pro dono do comércio se encontrar, saber onde estão as coisas, etc. inaugurar nunca é fácil.

acontece que o bar é meu vizinho e uma visita de boas vindas está no script, ainda mais num projeto pelo qual me identifiquei tanto. então não deixei completar nem um mês de funcionamento e fui.

bom dono de bar é aquele que sabe o que o freguês quer beber e ao me ver o colega já veio com uma taça de jerez fino pra mim. começamos bem. nessa noite ainda bebi ótimo riesling e comi um pan tomaca delicioso. o espaço ficou exatamente como imaginei. lindo, com apenas uma mesa coletiva e sóbrio balcão com bancos confortáveis. mas me chamou a atenção como já abriu bombando e também a quantidade de faria limers bebendo gim tônica e longui nétis num bar de vinhos. talvez colocar cocktail e cerveja não tenha sido a decisão mais acertada.

porém entendo a atitude, pois ele tem bom senso de noção de coquetelaria. o jerez martini servido por lá já se tornou um dos bons drinks da cidade e a tônica marsala alivia um bocado as noites cada vez mais secas que tem feito. mas que não precisava da longui néti, não precisava. um desperdício, tinha tudo pra ser um bar de vinhos tão incrível…

a real é que por mais que se estude, que se faça consistente plano de negócio, só se conhece a demanda do comércio quando finalmente se abre as portas. e por muitas vezes o resultado é surpreendente, já vi esse tipo de situação constrangedora ocorrer por inúmeras vezes.

na medida do possível em que a muvuca não me desanimar, a driblarei e seguirei frequentando a pocilga. estarei lá no canto do balcão, com um jerez fino na mão e de costas pros manos armados com bebidas de casamento. é preciso saber usar o que o bar tem para lhe oferecer.

mas que podia tirar a longui néti, podia.

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