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Boteco do JB

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cresci nas ruas da vila leopoldina, subdistrito lapeano. ali jogava bola, taco e quebrava vidros de janelas de lindas fábricas abandonadas que hoje deram lugar a breguíssimos prédios cujos apartamentos tem varanda gourmet, três quartos e sala com dois ambientes. tudo isso num espaço minúsculo. das casas térreas e clássicos sobradinhos, pouca coisa sobrou.

na real a cidade tal como eu conheci não existe mais. os lindos cinemas do centro, o mappin, o playcenter, grupo sérgio, tem mais nada disso não. até a garoa nos tiraram, tornou-se algo raro de se apreciar.

viver é se despedir das suas lembranças enquanto o corpo padece. a vida é composta de batalhas inglórias, já que no final a morte sempre vence.

hoje moro no centro da cidade e a poluição que bate por aqui não faz nada bem ao portador de esclerose múltipla que vos escreve.

mas aprendi a me reconhecer nas ruínas da cidade. até porque algumas coisas nem tem como mudar muito.

me identifico com a são paulo do joão antônio, que percorre a linha ferroviária desde a estação da luz, passando pela lapa e chegando até presidente altino, osasco. uma cidade operária e sem barrancos.

morar na frente de uma estação de metrô no centro significa que não se atravessa a cidade pra nada. no máximo se desloca até uma região para logo voltar ao ponto de partida.

mas o ideal é nem pegar condução pra nada. caminhando com meu cachorro procuro resolver tudo na área. mercado, feira, bar, restaurante, tudo. tal como um aldeão. isso é sinônimo de qualidade de vida pra mim.

a são paulo que gosto não tem pegadinhas pra turista no mercado da cantareira e nem bauru bosta no largo do paissandu.

agora são 13h e só estou esperando o sol baixar um pouco pra comemorar o aniversário da cidade mandando um rangão armênio, coreano ou japonês.

silenciosamente.

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