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Boteco do JB

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o doce nosso de cada dia

quer cobrar mais de um salário mínimo pelo jantar? posso até pagar pra conferir, mas tenha certeza de que te cobrarei para que me entregue o dinheiro investido.

se for um restaurante que funcione no molde ocidental caretão, é de bom tom ter escrito no cardápio o nome das chefias de bar, salão e confeitaria, entre outros. a casa do porco bar, que trabalha com outra faixa de preço, até nome da barista tem.

mas falemos de café outra hora. foquemos hoje na sobremesa.

um bom doce é bom pra todo mundo. ajuda a elevar o ticket médio do restaurante e faz com que a freguesia saia do restaurante com sorriso nos lábios.

e não precisa ser sobremesa da famigerada alta gastronomia citada no primeiro parágrafo, não. nem doce de confeiteiro, pode ser de cozinheiro mesmo. quindim, pudim, sorvete, tiramisù…

eu morro de vergonha por morar numa cidade onde é dificílimo indicar um tira além do fasano, que entrega o que cobra – pelo menos nessa sobremesa – mas é para poucos.

assim como uma boa sobremesa ajuda a corrigir um eventual deslize ocorrido no curso do jantar um doce bosta faz com que o restante do serviço seja jogado no lixo.

estou pra retornar num restaurante contemporâneo onde as entradas foram boas, o principal desastroso e a sobremesa ótima. já no descrito há uns dois posts, onde me serviram um sorvete que me surpreendeu pra cacete o fato do mesmo ter passado pela boqueta demorarei mais um pouco para a segunda visita. aquele gosto de amargo não desejado custa a sair da boca e da memória.

também é surpreendente como é mais fácil achar uma borracharia antiga ou um sapateiro de confiança que uma boa confeitaria. ingredientes brasileiros nos doces? mais difícil ainda. qualidade? não trabalhamos. claro que há raras exceções, mas não é disso que estamos falando.

e ainda tem o onipresente excesso de açúcar, que mascara o real dulçor da sobremesa, cinicamente defendido pelos incompetentes preguiçosos como herança portuguesa. quem responsabiliza o comensal por seu próprio trabalho pífio não passa de um mero novo colonizador.

porque é muito cômodo alegar que as pessoas nem ligam, gostam assim. a esses sinto informar que o mundo mudou e que é preciso se atualizar, ser um profissional e também uma pessoa melhor.

como sou um incorrigível otimista, espero que a concorrência cada vez maior entre restaurantes faça com que se suba o nível das suas sobremesas. e que em seguida finalmente se estabeleça alguma cena de confeitarias brasileiras, mesmo que apenas razoável, já que no momento não temos quase nada.

só falta combinar com os millenials.

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