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Boteco do JB

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o dia seguinte

como o cenário gastronômico sobreviverá à pandemia?

creio eu que a reabertura comercial se dará gradualmente a partir do fim de maio, isso se o mamute do planalto não tiver mais nenhum devaneio genocida. o que considero pouco provável, dado o estado ainda mais dramático em que os hospitais estarão logo mais e o zero respeito tido por governadores, prefeitos, câmara federal e até mesmo os militares.

restaurantes supostamente chiques tendem a ficar ainda mais caros, pois terão que diminuir o número de lugares. é isso ou a falência, que ocorrerá a rodo, de qualquer forma.

a onda de lugares dinâmicos comandados por jovens voltará ainda mais forte. só espero que os zé corrutela daqui demonstrem algum interesse em aprender a cozinhar, o que é bastante difícil.

mas mesmo os menores terão que reajustar seus preços, pois terão que diminuir ainda mais a capacidade do salão.

japonês? deve ficar ainda mais caro, já que ninguém mais quer se sentar muito perto de outra pessoa, de frente para o hoje apertado balcão.

pequenas casas de show promoverão espetáculos ainda menores vendendo ingressos por valores estratosféricos. e festivais não voltarão tão cedo, assim como shows em estádios e jogos de futebol.

serviços de delivery aumentarão e pacotes de streaming surgirão por preço acessível, já que nem todo mundo estará interessado em ir ao restaurante e muito menos em pegar um cineminha, que por sua vez tem a opção de aumentar consideravelmente o espaço entre os cinéfilos, o que causará aumento do preço do ticket.

viajar não será tão acessível, fronteiras serão fechadas e os próprios aviões podem ser replanejados. se antes a ideia era acabar com a primeira classe, hoje ninguém quer correr o risco de viajar na coronga class, com muita gente ao lado.

muitos nem sairão de casa mais. lidaremos com pânico e paranóia de gente bem próxima a nós mesmos, alguns traumatizados pela repentina morte de entes queridos.

quando e de que maneira a pandemia acaba? com remédio? vacina? quando o mundo inteiro se contaminar, provocando milhões de mortes? qualquer uma dessas ou outras hipóteses leva tempo. o isolamento social não cura a doença, mas tem o fim do sistema de saúde global não colapsar, de maneira que hoje nada é mais humano que ficar em casa. e, quem não puder, que se cuide mais ainda.

mas, voltando ao foco da postagem desse espaço que se tornou meu pequeno diário de horrores da pandemia. como ficará a cena quando isso passar?

do outro lado do fio, o mst tem doado toneladas de alimentos a quem mais precisa pelo país todo, numa brilhante e humanitária inversão de raciocínio diante do que era conhecido como mundo até antes de ontem. lidar de outra maneira com comida pode ser a solução mais inteligente. por que o capitalismo dá claros sinais de esgotamento.

porque se buscarmos soluções dentro do nosso famigerado sistema transformaremos o planeta num imenso haiti, quadro esse que pode e deve revoltar um bocado toda a população.

o momento é apocalíptico, mas o dia seguinte chegará. e, quando isso acontecer, teremos que nos reinventar. minha torcida é para que nos tornemos mais razoáveis.

será?

é isso ou devemos – como disse noite dessas um bom amigo – ficar otimistas diante do futuro do pessimismo?

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