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Boteco do JB

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goró

o serviço restaurador londrino não busca ser melhor do que ninguém. apenas é adulto, bem resolvido e não engana a freguesia.

a má notícia é que estamos muito longe de chegar a esse nível. a boa é que bom caminho já vem sendo trilhado há algum tempo.

foquemos hoje em bebidas alcoólicas.

peguemos, por exemplo, a cerveja. até antes de ontem o que tínhamos era pouca coisa além de meia dúzia de ipa bosta com tanto lúpulo vagabundo que te fazia subir tal como o padre do balão. hoje o cenário é bem diferente, com realidade de pelo menos três ótimas cervejarias e é inevitável que o quadro se multiplique um tanto em pouco tempo, caminho sem volta e a ambev que se vire com isso.

já na bebida do milagre de cristo hoje impera a picaretagem de quem se aproveita da falta de parâmetro do público médio pra vender seu vinho natural sem sulfito e mal viajado. mas esse reinado está com os dias contados. porque também há profissionais sérios e, com tanta informação ao alcance da mão, aos poucos deixamos de ser trouxa.

infelizmente produzir boa bebida no brasil é muito caro, o que distancia um bocado o goró bem feito do cotidiano do brasileiro comum. como estamos longe!

lembrando que bebida orgânica, natural ou coisa que o valha não é sinônimo de bom produto. taí os gins brasileiros merda pra provar isso. morro de vergonha em ver iniciativas legais tais como o instituto chão vender esse tipo de bebida porque é orgânico. não é só o consumidor final que esse tipo de indústria ilude.

a arrogância de alguns seres do ramo também não ajuda em nada, pelo contrário. expressões terríveis, tais como cerveja de verdade jamais deveriam existir. chega a ser desrespeitoso com o trabalhador que bebe sua cerveja em pé encostado no balcão de botequim. esse talvez seja o ponto alto do seu dia e ele vai te mandar tomar no cu se você usar a maldita expressão. assim como não se deve falar pro sujeito que não conhece café especial que não é correto adoçar a bebida. educar exige uma sensibilidade que passa bem longe da cagação de regra.

quando se age com ar de superioridade, o efeito é o oposto do ideal, fazendo assim que o bebedor comum se afaste da bebida boa e volte ao seu cotidiano onde ninguém enche o saco.

beber pode ser gostoso e divertido. e o bom bebedor não quer guerra com ninguém. driblemos os picaretas da indústria e compartilhemos conhecimento de forma saudável, fluente e simpática.

sensibilidade, trabalho e tempo. um pouco menos de tributos também facilitaria. o caminho é longo e tortuoso, mas um dia chegamos lá.

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