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Boteco do JB

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eterno retorno

ontem foi igual a hoje que tem tudo pra ser bem parecido com amanhã. viver na quarentena se tornou um eterno feitiço do tempo.

além de quietude é inevitável que o período traga reavaliações de juízo, metas e do que realmente se quer da vida. é como se estivéssemos naquela semana que antecede o réveillon, só que sem comemoração depois.

bem sei que sou um privilegiado e que minha vida nem mudou tanto assim. nunca fui muito chegado a festa e a tendência é que fique – por vontade própria – cada vez mais sozinho.

mas uma coisa é ter esse estilo de vida como opção, outra é ser forçado a isso. qualquer pessoa com condições parecidas com a minha e o mínimo de condição social apenas fica em casa, se resume à própria insignificância.

aliás, pedir pras pessoas ficarem em casa é absolutamente inútil. quem pode e tem um mínimo de consciência, fica. todo o restante, não. simples, assim.

a verdade é que o homem médio não muda, apenas envelhece e piora ainda mais. uma vez pressionado, pode até resgatar bem lá do fundinho de sua mísera alma um gesto de generosidade. mas, ao primeiro sinal de avançar, a sua abominável natureza volta a predominar. quem sobreviver à pandemia verá. egoísmo acima de tudo e todos.

embora talvez não devamos descartar a possibilidade do suicídio, acho que temos que ter real dimensão dos nossos papeis. um cadáver a mais na rua não ajudará em nada, muito pelo contrário. e quem não ajuda, não deve atrapalhar, não existe hora mais inapropriada para tal ato. se fizer muita questão de cair fora, é de bom tom adiar um pouco a decisão. se não por você, pelo bem coletivo. mais pra frente, se conseguir ter a sobriedade de analisar a questão mais a fundo, será inevitável a conclusão de que tal trampo não vale. não gosta da sua vida? espera um pouco lá no canto que já acaba, não se preocupe que logo o destino se encarrega em cumprir seu papel. nada mata mais que a tristeza.

fica em casa se puder e quiser. mas, se puder e não quiser, não me procure.

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