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Boteco do JB

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obituário ambulante

até agora são 4 livros publicados e tem pelo menos mais 2 a caminho. natural que a pandemia tenha atrasado todos nossos planos e convém esperar pelo momento mais adequado para seguir com eles.

costumo brincar dizendo que lançar livros não é mais que mera desculpinha pra visitar belo horizonte, cidade detentora de botecos que tanto prezo.

soube que alguns deles passam por um aperto danado. o mais justo é que lugares como o fabuloso bar do zezé, no barreiro de baixo, frequentado por esse que vos escreve desde 2004, sejam tombados como patrimônio imaterial da cidade. mas bem sabemos que políticos tem outras prioridades, de maneira que pouco nos resta além da torcida.

torcida essa que por vezes não basta. nessa semana mesmo um dos meus lugares preferidos na cidade anunciou nas redes sociais o fim de suas atividades.

localizada na boêmia santa tereza, a bitaca da leste só não fazia chover no seu minúsculo espaço de menos de 30 metros. tinha bom chopp próprio, curava queijos, produzia os próprios picles e lingüiças deliciosas, além de um torresmo que ficará na história.

uma discreta vitrola no canto esquerdo ao lado da porta com boa seleção de vinis ornava com as paradas tudo. optar por uma das poucas mesas externas também era boa pedida, convite ao ato de contemplação que só os bebedores mais clássicos compreendem.

embora o chef citado na minha postagem anterior deixe a entender nas suas mídias que é mais inteligente e trabalhador que a maior parte dos seus colegas, o mundo real nos mostra bastante gente talentosa e empreendedora com dificuldades que vão muito além da pandemia festiva comemorada nas férias no méxico.

além da bitaca da leste, senti muito também o fechamento do el cid, em copacabana, onde tive fins de noite memoráveis, comendo batata portuguesa e bebendo uísque. aliás, espero que façam bom proveito da garrafa que sempre mantinha por lá.

a real é que a falência deixou de ser estatística para ganhar nomes. de bares periféricos até os restaurantes mais luxuosos, muitos de nós sentimos pra cacete a perda de comércios próximos que não resistiram a essa crise sem precedentes.

mas a relação afetiva resiste e sobrevive nas nossas mentes e corações. lugares como a bitaca da leste, el cid e pasv jamais sairão da minha cabeça. se morte é esquecimento, esses e outros comércios devem seguir vivões e sempre lembrados na memória boêmia de todos bebuns de todas cidades.

que fique registrado aqui meus sinceros sentimentos a todas famílias que de alguma forma perderam com tantos fechamentos espalhados por todo país. torço pra que arrumem um jeito de dar a tal volta por cima, tão sabiamente celebrada por paulo vanzolini.

agora peço licença pra voltar ao livro que ainda não desisti de publicar nesse ano. a data certa de lançamento ainda não sei, mas já sei que a volta a belo horizonte será triste pra burro sem a bitaca da leste.

e imploro para que não me tirem o zezé, plmdds.

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