fbpx

Boteco do JB

Menu Close

dois anos sem tony

no começo desse século trabalhava cerca de 16 horas por dia em duas cozinhas profissionais, de maneira que minha primeira reação não foi assim a mais entusiasta na primeira vez em que li a obra pela qual anthony bourdain é mais conhecido até hoje.

explico.

cozinha pra mim é ato sagrado e exige disciplina militar que passa a milhas e milhas de distância do estilo de vida regado a sexo, drogas e rock n’roll.

acontece que desde então vieram outros livros – bem melhores que cozinha confidencial, inclusive – e programas televisivos espetaculares, aos quais assisto até hoje. tony bourdain jogava em outra divisão, sua vida foi literária.

depressão é um problema sério e por mais romântica que sua morte pareça ter sido a real é que 2 anos depois ele faz uma falta danada e o ideal seria que as coisas tivessem se resolvido de maneira diferente. quer dizer, pelo menos para seu público, do qual faço parte.

até que ponto o homem está são pra decidir que tá na hora de cair fora? albert camus diz que todos devem pensar em suicídio pelo menos uma vez na vida. eu deixo a resposta ao pensamento para os filósofos e clínicos, me resumo à minha ignorância.

talvez seja egoísmo de minha parte, mas é duro pensar quanto conteúdo bom ele tinha pra produzir nesse mundinho medíocre do cacete.

por 2 vezes bateu na trave de conhece-lo, inclusive em uma delas cheguei a ajudar na produção de um vídeo gravado num izakaya na liberdade. sua equipe era ótima, a turma do audiovisual nunca desaponta. mas o brinde ficou pra próxima temporada no inferno.

anthony bourdain foi o lou reed da gastronomia e se sua vida se foi a obra é imortal. que a geração nutella millenial aprenda pelo menos um pouco com seus livros e séries. se bem que quanto a isso não sou tão otimista.

valeu, tony! foi lindo de morrer! até breve!

© 2020 Boteco do JB. All rights reserved.

Theme by Anders Norén.