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Boteco do JB

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dia de festa

ainda não pendurei o restante dos quadros, mas sigo olhando pra eles todos dias. já o som valvulado está rodando, impressionante como o volume de boa música preenche e muda o ambiente do apartamento, no melhor sentido possível.

penso em realizar pequenos jantares pra bancar meu sustento, mas o atual quadro pandêmico faz com que não me sinta seguro pra esse tipo de ação.

como perdi meus trampos, pela primeira vez na vida considero a possibilidade de levar mais a sério a ideia de viver de criação de conteúdo. canal mais atualizado, infoproduto em vista, livro novo o mais breve possível na praça, etc.

tem qui tentá u dibri luciano! – assim dizia a patada atômica ao saudoso velho locutor do canal do esporte. como minha posição sempre foi no gol, é natural que me atrapalhe um tanto, mas o primeiro aluguel da nova moradia está pago. já o próximo não sei de onde tirarei o dinheiro. baby steps, ó eu citando personagem de bill murray de novo. é na tvs que tem uma figurinista que atende pelo nome de bel murray? adoro esse trocadilho.

e assim sobrevivo, entre trapaças e tropeços sofridos. falar em felicidade seria de um exagero monumental, além da falta de empatia, mas vou levando.

enquanto isso, do outro lado da cidade, quem esbanjou felicidade numa mídia social foi o aniversariante do dia, numa euforia virtual digna de todos os santos.

bom cozinheiro e dono de uma penca de restaurantes na mesma rua, rodolfo é tido como uma espécie de walter mancini do itaim bibi. a comida servida na nave mãe é meio pesadona, mas sua endinheirada clientela ama e quer mais. ao lado, bem sucedida casa de embutidos que prepara gostosa burrata e serve um curioso varal de presunto cru.

o meu preferido é o de frutos do mar, apesar do ambiente engomado que, verdade seja dita, é a cara do bairro. na frente, uma pizzaria, em torno abriu também espanhol, parrilla, hamburgueria e até um francês. em comum entre todos esses, desleixo com serviço de bebidas (vinho, cocktail, cerveja), reflexo de uma escola de restauração que não deveria existir mais. arrogância ou mera incompetência? não importa. na famiglia nino todos são felizes, da freguesia ao chef. inclusive percorrem boatos que jantares caríssimos foram celebrados naquele salão no auge da quarentena, o que espero de coração que seja mentira.

essa crise maldita provocou alguns fechamentos e, entre eles, um lugar muito querido onde rodolfo já trabalhou. aliás, o conheci lá, quando ele servia desde uma lagosta maravilhosa até o pior carbonara da cidade. enquanto a tappo trattoria foi pra laje do bistrô dos sócios originais, rodolfo se orgulha por ter comprado o antigo ponto. felicidade em empreender tanto na maior crise sanitária dos últimos 100 anos, na qual boa parte da população não se espanta com o horror normalizado. mais de 125000 pessoas morreram porque tinham que morrer, assim diria o presidente da república.

embora seja de se admirar a manutenção e ampliação do grupo restaurador, seria interessante saber como as centenas de cozinheiros e garçons se locomovem para os locais de trabalho, já que não há ambiente mais insalubre que uma condução lotada. será que as equipes compartilham do mesmo sentimento de felicidade do chef?

bem, aqui do meu lado, com muito cuidado, comecei a sair também. não sei porque me sinto na obrigação de reportar os ocorridos nessa tão insegura reabertura comercial. aos poucos pretendo contar no blog o que vejo, mas adianto que até agora constatei um cenário de desesperança que passa há léguas e léguas de distância do condado de todos os santos.

mas pelo menos tem alguém feliz, né?

feliz aniversário e muitos anos de vida, rodolfo de santis. 125000 vidas perdidas o saúdam.

força, guerreiro!

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