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Boteco do JB

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Month: June 2020 (page 2 of 3)

jesus collor numa moto

nos anos 70 o fabuloso zé rodrix deu a letra da romantização do isolamento social, nos belos versos de mestre jonas, que escancarou a porteira do mundo com seu rock rural sem freio, nem documento.

nunca houve um compositor como ele, que faz uma falta danada. decerto, se vivo, nos presentearia com fórmulas infalíveis de entretenimento nesses dias tão difíceis.

ou morreria de desgosto, já que a época não está muito propícia para os artistas.

eu acho que a chave de virada para o abismo cultural em que estamos jogados hoje se deu no governo de fernando collor de melo. desde que ele recebeu cantores de estética duvidosa no palácio do planalto o mundo nunca mais foi o mesmo. a partir daí foi ladeira abaixo.

daqui do meu canto imagino só o sorriso escancarado no meio dos tortos dentes do advogado cuidador de divórcios, ao saber da live de dia dos namorados de juan santanna. se o casamento resistir a isso, pode ser sinal de amor mesmo.

toda geração tende a achar que as anteriores foram mais legais, mas essa em específico tá bem no capricho. e a quarentena também funciona no modo lupa, o que já estava perto não passa mais despercebido, te engole.

não que tivesse muita coisa boa antes, que satã me livre de velhos figurões que sempre estiveram longe do povo, com atenção voltada apenas para cirandas de dces. porém a conta da mediocrização da classe não é deles, não.

de maneira que proponho o seguinte. já que collor passou a fazer a lok do dia para a noite nas redes sociais, que pague essa dívida que tem com a sociedade.

senador, o look do dia de hoje é o seguinte:

mete o jesus numa moto nas ideia e faz umas live com uns artista que prestaê.

pula fogueira iá iá

não sei se ainda existe aquela igreja mais apostólica que romana na esquina da paulo franco com a brentano, vila hamburguesa, subdistrito lapeano. bem na frente do bar do pinho, onde trabalhou por anos o wadinho, bicheiro mais firmeza do pedaço, que era meu vizinho na lauro müller. eu morava na 192, ele na 196, sobradinhos lindos que foram horrorosamente reformados.

foi nessa igreja que teve a missa de sétimo dia do meu pai, realizada pra agradar alguns poucos amigos. embora eu já fosse ateu nos anos 90, nunca fui de confrontar religiões. se te traz conforto de alguma forma, pra mim já tá de bom tamanho.

curiosamente o prédio no qual ele morreu de tanto trabalhar também ficava na paulo franco, assim como o cemitério. se pudesse escolher, decerto gostaria de ter trabalho, missa e enterro tudo na mesma rua, sob seu aparente controle. não deixou de ser uma penúltima homenagem. a última foi meu primeiro livro, dias de feira.

mas estamos em junho e hoje me lembrei que nessa igreja rolavam as festas juninas do bairro, em que sempre dava jeito de faturar algum vendendo rifas pra molecada que, verdade seja dita, não ia muito com minha cara, não. bem, pelo menos garantia o faturamento da noite.

abanado, gastava parte da bufunfa nas banquinhas de quitutes doces e salgados típicos desse tipo de celebração. embora a tolerância pra comidas bosta fosse bem maior naqueles dias – agora estamos falando de uma pré-adolescência passada nos anos 80 – eu não gostava muito de nada, não. os doces insuportavelmente açucarados eram um capítulo à parte. que bosta. que bosta. eu era o garoto que bebericava do copo de campari do meu pai, pô! me dê um troço mais amarguinho, senhora! não, ninguém nem entendia o que queria e voltava pra casa sem gastar o dinheiro ganho na noite.

provinciano, achava que o problema tava no bairro, que a comida das festas juninas dos outros era mais gostosa, que só podia ser uma questão lapeana. quando virou a década eu já era di maior e tinha carro, o que permitiu que fizesse uma busca de boa festa junina pela cidade inteira. descobri que além de comida ruim, o álcool também era intragável. vinho quente mais doce que maçã do amor, quentão mais alcoólico que maria louca e assim seguia o jogo.

quando virou o milênio, já tinha desistido dessa busca inglória, derrota devidamente assimilada há bom tempo. e hoje vejo muita gente se manifestando nas mídias sociais, com saudades de algo que só pode ter valor afetivo.

minha dica? acho que se é disso que você gosta, é isso que se deve fazer. improvise a sua própria festa junina, compre vinho chapinha, 7 quilos de açúcar, cachaça bosta, amendoim murchiba, a porra toda. tire o chapéu de palha do armário, vista aquela camisa de flanela modelo eddie vedder 92 e divirta-se sem medo de cair no ridículo, ninguém não tem a ver com isso.

e eu que não vou zoar sua religião. ok, talvez só um tiquinho.

manhãs de domingo

eu tenho um cachorro cujo apelido é demonho e sua voracidade por cabos aperitivo me deixou sem internet por 2 dias, daí o breve sumiço. zuêra acima de tudo, parece ser seu tema.

mas isso não é uma reclamação, não. cuidar dele me faz um bem danado, além da ótima companhia. especialmente nesses dias tão difíceis pra todos.

durante a quarentena perdi contratos de assessoria e é provável que faça alguns jantares pra me sustentar, quando esse período passar.

só não sei onde, já que o aluguel do tristezão tá caro pacas e não sei se a imobiliária aceitará minha proposta de renegociação.

amigos, não tenho muitos. sou o cara que muitos adoram concordar nos bastidores, mas têm pavor em se posicionar ao meu lado em público. o que só aumenta meu apreço a quem é mais próximo.

e tem a saúde também. escrevo sob o efeito de um surto de esclerose múltipla que no momento adormece boa parte do meu corpo, como se ele quisesse se desfazer da velha alma. será que nem minha carcaça me agüenta mais?

acontece que ainda não desisti da porra toda e se os adversários acham que as dificuldades me tirarão da parada, estão muito enganados.

sim, adversários. porque pra se tornar inimigo tem que entrar na fila. e, sinceramente, esse não é o foco agora.

na medida em que a pilha fraqueja é natural que se aprenda a usar com mais sabedoria o restante da energia e espero estar no nível de tal desafio.

os planos pra 2022 incluem publicações de mais livros e talvez uma porta aberta, mesmo que seja a da minha residência, independente de onde estiver morando.

já pra esse ano resta seguir lutando pela sobrevivência, o que vier a mais é lucro.

cuide-se você também.

até amanhã e, se puder, tenha um bom domingo. me desculpem pelo tom que por vezes pode soar inadequado, é que essas manhãs nubladas me comovem como um diabo.

HAJA!

nessa semana batemos trágicos recordes de casos de covid-19 em são paulo, e ainda não chegamos ao pico.

autoridades responsáveis tomariam as providências necessárias pra segurar a onda de fogo no cu consumista provocada pela breguíssima data (des)festiva criada pelo pai do atual governador.

e o que acontece? justamente o contrário. reabrirão o comércio pra tentar reaquecer pateticamente a economia. veja o histórico profissional tanto do prefeito quanto do governador e chegue à conclusão de que o cenário é triste, porém previsível.

a desculpinha oficial é a de que as utis estão menos lotadas. uti de hospital pra rico, diga-se. daí o pobre que se exploda, como diria justo veríssimo. ou e daí? não sou coveiro! como disse o atual presidente genocida. no brasil a realidade é mais dramática que a ficção.

as estúpidas rosas vendidas nessa época não terão dupla utilidade, já que em 15 dias elas estarão tão mortas quanto as vítimas dessa irresponsável reabertura comercial.

e mesmo a ação genocida de extermínio do elo mais frágil da comunidade que pega condução lotada pra servir na casa grande terá efeito bumerangue, já que é questão de – pouco – tempo pra doença voltar pro outro lado.

se você pode ficar em casa, não abra mão desse privilégio, não seja um pau no cu. tem gente nas ruas morrendo por você.

e ninguém está interessado na sua blusinha nova comprada na josé paulino, nem no que você comeu na praça de alimentação do shopping.

boas compras a todos.

sdds

a improvável quarentena faz com que muitos de nós nos comportemos de maneira um tanto saudosista, entre pilhas e pilhas de dezenas de milhares de cadáveres que poderiam representar número consideravelmente menor, se não fosse o empenho do genocida que ocupa o palácio do planalto em efetuar o oposto.

sim, empenho. porque a quem não governa, só interessa morte e destruição. inocente é quem acha que não passa de apenas mais um louco. joga uma nota de 100 no chão na frente dele pra ver se o meliante rasga, come ou coloca no bolso. evidente que a terceira opção é a mais provável.

isso posto, do que você mais sente falta do mundo que havia antes dessa merda toda acontecer? um beijo materno? mesa de bar com os mais chegados? shows de rock? talvez aquele abraço em torno de uma lagoa que não quer ser salva?

cada um sabe a maneira em que a saudade bate pra si. dores e lembranças sempre serão pessoais, intransponíveis.

o intervalo da escrita entre esse e o parágrafo anterior foi de mais ou menos uma hora, por bom motivo que conto a seguir.

recebi agora de um amigo 2 deliciosos sandos, 1 de berinjela e outro de frango, acompanhados de boa cerveja pilsen levinha como os japoneses gostam. natural que tenha trocado a mesa de trabalho pelo balcão de almoço, mas aqui estou de volta.

se quiser entender a relação afetiva que tenho por esse estilo de sanduíche, googe por déja vù sando e encontrará texto publicado em 25 de abril nesse mesmo blog, no qual conto a história de maneira meio torta, porém válida.

de maneira que nem me lembro se cheguei a pensar como terminaria essa postagem, mas que ganhei o dia, ganhei.

e finalizo dizendo que o que mais sinto falta do velho mundo é o hábito de sentar num balcão de izakaya com 1 ou 2 amigos, bebendo shochu, falando bobagens e comendo um monte de troço gostoso.

valeu, toshi san!

dois anos sem tony

no começo desse século trabalhava cerca de 16 horas por dia em duas cozinhas profissionais, de maneira que minha primeira reação não foi assim a mais entusiasta na primeira vez em que li a obra pela qual anthony bourdain é mais conhecido até hoje.

explico.

cozinha pra mim é ato sagrado e exige disciplina militar que passa a milhas e milhas de distância do estilo de vida regado a sexo, drogas e rock n’roll.

acontece que desde então vieram outros livros – bem melhores que cozinha confidencial, inclusive – e programas televisivos espetaculares, aos quais assisto até hoje. tony bourdain jogava em outra divisão, sua vida foi literária.

depressão é um problema sério e por mais romântica que sua morte pareça ter sido a real é que 2 anos depois ele faz uma falta danada e o ideal seria que as coisas tivessem se resolvido de maneira diferente. quer dizer, pelo menos para seu público, do qual faço parte.

até que ponto o homem está são pra decidir que tá na hora de cair fora? albert camus diz que todos devem pensar em suicídio pelo menos uma vez na vida. eu deixo a resposta ao pensamento para os filósofos e clínicos, me resumo à minha ignorância.

talvez seja egoísmo de minha parte, mas é duro pensar quanto conteúdo bom ele tinha pra produzir nesse mundinho medíocre do cacete.

por 2 vezes bateu na trave de conhece-lo, inclusive em uma delas cheguei a ajudar na produção de um vídeo gravado num izakaya na liberdade. sua equipe era ótima, a turma do audiovisual nunca desaponta. mas o brinde ficou pra próxima temporada no inferno.

anthony bourdain foi o lou reed da gastronomia e se sua vida se foi a obra é imortal. que a geração nutella millenial aprenda pelo menos um pouco com seus livros e séries. se bem que quanto a isso não sou tão otimista.

valeu, tony! foi lindo de morrer! até breve!

brazil

ontem pela primeira vez não atualizei esse sítio, o que venho fazendo desde janeiro. ninguém reparou. é preciso sempre ter consciência de sua própria insignificância. do contrário a própria vida dá um jeito de te lembrar.

chega a ser romântico o inocente ato da tentativa de distanciamento social nas aglomerações ocorridas no largo da batata.

mas infelizmente tais atos irresponsáveis só servirão para aumentar ainda mais o pico de uma pandemia que ainda está em curva ascendente. além de ser um prato cheio para a política repressiva do governo genocida usar e abusar de repressão.

mas, o que fazer, diante do horror que nos assola? como protestar? o silêncio pode ser ouvido de maneira mais eficaz?

sinceramente, não sei. não tenho capacidade e nem forças pra diagnosticar receitas contra a doença mortal que habita o palácio do governo federal.

mas sei que o país se tornou vergonha de ordem mundial. a ponto do pateta donald trump subverter, mesmo que involuntariamente, a lógica do saudoso aldir blanc.

hoje é o brasil que não merece o brazil.

uma boa arma da famigerada democracia é o voto inteligente, hábito esse que por sua vez é tão ignorado pela maioria dos brasileiros.

se não fosse pela pandemia, o mais lógico seria agüentar o paquiderme até 2022 e torcer por resultados menos nocivos nas próximas eleições.

mas o catastrófico quadro que levou o presidente a cometer crimes contra a humanidade faz com que se torne necessária cassação da chapa eleita e que seus responsáveis sejam julgados na corte internacional de justiça.

quanto antes isso acontecer, menor é a possibilidade de perdermos mais centenas de milhares de vidas com nomes e sobrenomes.

se a voz desse cronista que vos escreve não é uma voz a ser ouvida, ouça a voz que vem do interior de sua consciência.

e faça o que estiver ao seu alcance pra tirar esse genocida do poder. até porque quem se cala diante das atuais ocorrências é um goiaba ou tem algo a ganhar com a desgraça alheia.

que o legado artístico de aldir seja justificado e que o brazil volte a não merecer o brasil.

frango com catupiry

a crise sem precedentes fez com que vários chefs de cozinha repensassem a comida delivery, já que agora pouco importa essa tal de experiência, ou rolê, enfim, o programa gastronômico. apenas a comida à frente do comensal expõe o cozinheiro. mais que isso, o desnuda.

é preciso escolher com carinho e inteligência que tipo de comida viaja melhor e pensar nos possíveis contratempos dessa nova demanda, tais como eventuais atrasos e indisposições com o serviço de entrega.

até a famigerada pizza já mudou o sistema de entrega em alguns lugares, sugerindo que o comilão a finalize no seu forno desfibrilador, numa desesperada tentativa de ressuscitar a redonda.

situação essa que me faz lembrar de certa ocasião em que estava numa famosa pizzaria e o produto chegou na mesa bem murchiba. por coincidência o dono, que é meu amigo até hoje, passou pela minha mesa e comeu meu rabo da seguinte maneira:

porra, júlio! mas que caralho! um século de estrada e você num sabe que tem que sentar perto do forno pra comer bem?! que a pizza vai pegar corrente de vento e esfriar até chegar aí nessa mesa bosta que você está? ficou burro ou o que?! daqui a pouco vai ta pedinu pra viaji! é só o que falta!

eu já sabia dessa manha, estava sentado com minha companhia no fundo do salão porque a pizza não era o item mais importante no encontro daquela noite. encontro esse que tinha a intenção de ser um pouco mais discreto. mas errei, tudo bem. também sei que se não respeitar a comida, a comida não irá te respeitar e pode te expor a uma ocorrência dessas. aliás, até que ficou barato, sempre pode ser pior. essa noite mesmo teve final feliz, na mesa mais próxima do forno, com vinho e pizza, comigo e agora mais duas pessoas, já que o dono da pizzaria se juntou a nós. a única coisa que paguei foi a pizza pedida errada, pra largar a mão de ser jumento, segundo meu simpático amigo.

mas nem sempre as noites tem final feliz. parafraseando o genial fausto fawcett…

e o brasil o que é? é o abismo que nunca chega. o abismo que nunca chega.

voltando aos dias de hoje, sobre comida delivery em tempos de quarentena, é natural que tanta procura provoque problemas de tudo quanto é tipo. muita demanda pra pouca oferta.

daí que essa chef famosa pediu uma pizza nesse mesmo local. após considerável atraso, o motoboy entrega o produto rapidamente a ela e logo se arranca.

eis que ao abrir a caixa os olhos da moça saltam com espanto em direção ao seu interior, ao avistar que chegaram ao destino final apenas as bordas da pizza.

após boa crise de rizus, ligou para um dos sócios que resolveu seu problema rapidamente, levando ele mesmo não só uma, mas duas pizzas pra moça, junto com garrafa de bom vinho e um imenso pedido de desculpas. outra noite com razoável desfecho para todos lados, inclusive para o lado mais vulnerável da cadeia, coisa rara.

enquanto isso, os aplicativos de comida ficam cada vez mais miliardários. é preciso repensar em todo sistema, porque a parte mais frágil começa a se revoltar. e com a mais absoluta razão.

se não dermos uma fatia do bolo – ou, no caso, da pizza – maior pra eles, é questão de tempo pra ela ser tomada.

não é coerente dar palestrinha sobre sustentabilidade e ao mesmo tempo colocar sua equipe em ônibus lotados e não dar condições decentes de trabalho aos tão importantes entregadores, o último elo até a comida chegar ao freguês.

o mundo colapsou e essa ficha há de cair em todos. se não é possível mudar a lógica do dia para a noite, tratar o próximo como seu igual já é bom começo.

e, se puder ficar em casa, não abra mão disso. se não por ti, sim pelos outros, especialmente por quem trabalha pra sobreviver e também pra você manter esse privilégio.

no future

você que lê esse texto, saiba que participa do processo de escrita de um livro.

a ideia de blogar todos dias – como antigamente – tem a pretensiosa meta de resgatar o clássico hábito de ler e escrever. sem links, sem fotos, nem ilustrações.

o cotidiano de um cronista gastronômico em 2020, assim que era pra ser. depois juntaria tudo, revisaria e viraria livro.

aí chegou a pandemia e junto com ela a quarentena, mandando o projeto inicial pro saco.

mas sigo escrevendo e atualizando o site da mesma maneira, embora as novidades sejam poucas. faltam textos sobre bares, mas outro temas vieram à tona, inclusive memórias do velho mundo.

como publico desde 2007, o plano atual é publicar o livro do mesmo jeito, mas com outro formato, contando a história do blog, com textos revisados e separados em capítulos.

projeto esse que será publicado em 2021 ou 2022, se der tudo certo. e, pra esse ano, ainda não desisti de lançar o livro de receitas crônicas em homenagem a nina horta, que tá bem adiantado. a data original de lançamento seria nesse mês de junho. não rolou, por motivos óbvios. em seguida faria uma tour de lançamento pelo brasil com dinheiro que tinha guardado pra isso, mas no momento uso pra sobrevivência e inclusive daqui a pouco acaba, já que todos meus contratos de trabalho foram cancelados. tenho uma péssima notícia para o meu senhorio, referente ao pagamento do aluguel de julho.

havendo livro sobre o blog, é muito provável que essa postagem seja cortada da edição final, por absoluta falta de qualidade. sorria, você faz parte desse fracasso.

mas, tudo bem. vivamos uma derrota de cada vez. meu único otimismo é referente ao futuro do pessimismo (apud luiz antônio simas).

até porque podia ser pior.

podia ser madero, the bost burger in the world.

200

a ideia do canal no youtube nasceu nos idos de 2014, com a pretensão de entrevistar mário sérgio pontes de paiva, luís carlos miele e waldir peres, o único goleiro que nunca abriu mão do espetáculo, pro bem ou pro mal. os dois primeiros morreram sem ter o desprazer de gravar um papo comigo.

acabou que nos atrasamos e fomos ao ar apenas em 2015, da maneira atrasada e atrapalhada que caracteriza o canal até hoje.

somos amadores, porém honestos e limpinhos. embora nunca tenhamos descartado patrocínio, jamais faria propaganda para produto que não consumo, daí a consequência é que muitas portas se fechem, o processo é natural.

uso por vezes o plural nessa postagem porque uma porrada de gente colabora com trampo a troco de pinga e amizade. até porque gastamos mais nas gravações do que ganhamos nessa tal de monetização.

o áudio é uma bosta e chegamos a ficar meses sem atualizar o canal, além do conteúdo ser uma zona, verdadeira torre de babel. fazemos tudo ao contrário do que manda a cartilha do google. mas nos divertimos um bocado e disso não abrimos mão.

assim como também não fazemos concessão à liberdade de criação de conteúdo. aliás, estendo tal filosofia de trabalho a todas outras mídias que administro, incluindo os livros e esse próprio blog. honestidade intelectual não é mérito, mas sim obrigação.

também não pedimos like, nem pra tocar o sininho, coisa e tal. defendo a tese de que engajamento é como a cortesia naquele velho botequim. não se pede, se conquista. não seja o bebum chato implorando pela saideira no balcão de fim de noite. se não ganhou é porque não mereceu.

mesmo assim, atingimos o improvável número de 200 mil inscritos naquela pocilga.

as outras mídias também caminham. a trancos e barrancos sigo atualizando diariamente esse balcão virtual e nesse ano ainda devo lançar o quinto livro, se as circunstâncias assim permitirem.

falta dinheiro, mas sobra diversão. além de ser uma válvula de escape e torta maneira de manter a sanidade mental nesses dias tão difíceis.

registro aqui meu muito obrigado a todas pessoas que tem a paciência de me acompanhar, seja lá onde for. parafraseando o para-choque, te desejo o dobro do que deseja pra mim.

se puder, fique bem você também.

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